07 junho 2006
Recompra de dívida
Luis Nassif
07/06/2006
O sábio recluso me ligou inconformado com a recompra de Global Bonds com vencimento entre 2007 e 2030. Para ele, é visão de operador de mesa que está tanto por trás da STN (Secretaria do Tesouro Nacional) quanto da Diretoria da Área Externa do Banco Central. Para atrair os dólares, o país pagou altíssimo custo econômico, com uma política monetária esdrúxula visando dar conforto aos investidores. Estão olhando com o viés do outro lado da mesa, a do cliente
O sábio não se conforma. Queimaram US$ 4 bilhões para dar conforto ao mercado e baixar míseros 4,4% no risco-país e anunciando planos de gastar mais US$ 20 bilhões tirados das reservas, necessárias para enfrentar tempos de alta volatilidade que vêm por aí. Antes da recompra, o Brasil tinha US$ 63 bilhões em reserva. A China, sem Hong Kong, tem US$ 837 bilhões, a Índia tem US$ 153 bilhões, e a Rússia, US$ 225 bilhões. O Banco Central não é rico, portanto, para dar conforto a investidores resgatando títulos que iriam vencer daqui a 24 anos. Nessa brincadeira, já se gastaram US$ 11,7 bilhões, incluindo os US$ 6,6 bilhões de bradies. Mais ainda: vender papéis longos custa caro. Por conta do prazo, o Tesouro tem que pagar altas comissões, que podem chegar até a 2% da emissão. Então paga-se para vender e logo depois recompra-se, quando ainda falta quase um quarto de século para vencer.
A maior parte da estratégia de esticar o prazo da dívida foi montada em cima de terreno movediço: investimento externo, privilegiado com isenção de tributação. Pagou-se caro (com a isenção fiscal) para trazer esse dinheiro. Pagou-se caro para segurar parte dele, quando começou a debandada, na semana passada.
Luis Nassif
07/06/2006
O sábio recluso me ligou inconformado com a recompra de Global Bonds com vencimento entre 2007 e 2030. Para ele, é visão de operador de mesa que está tanto por trás da STN (Secretaria do Tesouro Nacional) quanto da Diretoria da Área Externa do Banco Central. Para atrair os dólares, o país pagou altíssimo custo econômico, com uma política monetária esdrúxula visando dar conforto aos investidores. Estão olhando com o viés do outro lado da mesa, a do cliente
O sábio não se conforma. Queimaram US$ 4 bilhões para dar conforto ao mercado e baixar míseros 4,4% no risco-país e anunciando planos de gastar mais US$ 20 bilhões tirados das reservas, necessárias para enfrentar tempos de alta volatilidade que vêm por aí. Antes da recompra, o Brasil tinha US$ 63 bilhões em reserva. A China, sem Hong Kong, tem US$ 837 bilhões, a Índia tem US$ 153 bilhões, e a Rússia, US$ 225 bilhões. O Banco Central não é rico, portanto, para dar conforto a investidores resgatando títulos que iriam vencer daqui a 24 anos. Nessa brincadeira, já se gastaram US$ 11,7 bilhões, incluindo os US$ 6,6 bilhões de bradies. Mais ainda: vender papéis longos custa caro. Por conta do prazo, o Tesouro tem que pagar altas comissões, que podem chegar até a 2% da emissão. Então paga-se para vender e logo depois recompra-se, quando ainda falta quase um quarto de século para vencer.
A maior parte da estratégia de esticar o prazo da dívida foi montada em cima de terreno movediço: investimento externo, privilegiado com isenção de tributação. Pagou-se caro (com a isenção fiscal) para trazer esse dinheiro. Pagou-se caro para segurar parte dele, quando começou a debandada, na semana passada.