14 agosto 2006
"Estrelas" petistas fogem de holofotes
Folha de São Paulo
14/08/2006
Antes considerados vitrines do Partido dos Trabalhadores e figuras constantes na mídia, alguns dos principais candidatos petistas hoje usam a estratégia da vitimização, fogem dos holofotes da imprensa e são escanteados pelo próprio partido.Fazem parte dessa lista o ex-ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), homem forte do governo Lula durante quase 40 meses, o ex-presidente nacional do partido José Genoino, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha e os deputados José Mentor e Professor Luizinho. Todos são candidatos a deputado federal.
Palocci, que chegou a ser cogitado como sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva, participou até agora apenas de um evento político: um jantar em Ribeirão Preto do qual a imprensa foi proibida de participar.
Armadilha do câmbio
Luiz Carlos Bresser-Pereira
14/08/2006
Se a taxa de câmbio de um país se mantiver apreciada, sua economia em pouco tempo experimentará investimentos voltados para a importação, déficit em conta corrente e, um pouco mais adiante, crise de balanço de pagamentos; se essa taxa se estabilizar em um nível relativamente depreciado ou competitivo, será o fator decisivo do desenvolvimento econômico. Não são apenas os países asiáticos dinâmicos de hoje que nos ensinam isso; no pós-guerra, a Alemanha, a Itália e o Japão também alcançaram altas taxas de crescimento porque lograram manter sua taxa de câmbio relativamente depreciada.
No Brasil, porém, o que vemos é uma forte tendência de a taxa de câmbio se apreciar. Embora aqui essa tendência seja mais acentuada, ela é comum a todos os países em desenvolvimento que aceitam a "estratégia" de crescimento com poupança externa.
O que fazer diante da apreciação do real? Nada, como sugere a ortodoxia convencional, "porque o mercado afinal resolverá o problema"?
Nada, "porque a taxa de câmbio real não poderia ser administrada no longo prazo", não obstante a experiência internacional demonstre a falsidade desse pressuposto fundamentalista de mercado? Ou nada precisaria ser feito porque a política de juros que essa ortodoxia vem impondo ao Brasil há tantos anos, além de facilitar o populismo cambial, é uma armadilha que impede que o governo aja sobre a taxa de câmbio?
A última é a verdadeira resposta. A alta taxa de juros impede a administração da taxa de câmbio.
Para administrá-la, os governos dispõem de dois instrumentos: a compra de reservas e sua esterilização, e, quando esse mecanismo não é suficiente, o controle da entrada de capitais.
O Banco Central já comprou cerca de US$ 70 bilhões, mas essas compras são insuficientes: o governo precisaria comprar mais. Entretanto, diferentemente do que ocorre com os países asiáticos dinâmicos, o governo não pode comprar mais porque, se o fizer, acabará de quebrar o Estado brasileiro. Um país asiático paga 1% ou 2% de juros reais para financiar a compra de reservas -o mesmo preço que recebe ao aplicar suas reservas no exterior-, enquanto o Estado brasileiro paga 12%.
Fica, dessa forma, clara a armadilha do juro alto e do câmbio baixo que hoje assola a economia brasileira, como, no passado, a alta inflação o fazia. A diferença está em que a alta inflação era um mal visível para todos, enquanto juro alto e câmbio baixo são males mais discretos. A alta inflação, entretanto, só terminou quando o governo, apoiado na sociedade, adotou uma estratégia original e firme para debelá-la; agora, a mesma autonomia e a mesma determinação então demonstradas são necessárias.
Folha de São Paulo
14/08/2006
Antes considerados vitrines do Partido dos Trabalhadores e figuras constantes na mídia, alguns dos principais candidatos petistas hoje usam a estratégia da vitimização, fogem dos holofotes da imprensa e são escanteados pelo próprio partido.Fazem parte dessa lista o ex-ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), homem forte do governo Lula durante quase 40 meses, o ex-presidente nacional do partido José Genoino, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha e os deputados José Mentor e Professor Luizinho. Todos são candidatos a deputado federal.
Palocci, que chegou a ser cogitado como sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva, participou até agora apenas de um evento político: um jantar em Ribeirão Preto do qual a imprensa foi proibida de participar.
Armadilha do câmbio
Luiz Carlos Bresser-Pereira
14/08/2006
Se a taxa de câmbio de um país se mantiver apreciada, sua economia em pouco tempo experimentará investimentos voltados para a importação, déficit em conta corrente e, um pouco mais adiante, crise de balanço de pagamentos; se essa taxa se estabilizar em um nível relativamente depreciado ou competitivo, será o fator decisivo do desenvolvimento econômico. Não são apenas os países asiáticos dinâmicos de hoje que nos ensinam isso; no pós-guerra, a Alemanha, a Itália e o Japão também alcançaram altas taxas de crescimento porque lograram manter sua taxa de câmbio relativamente depreciada.
No Brasil, porém, o que vemos é uma forte tendência de a taxa de câmbio se apreciar. Embora aqui essa tendência seja mais acentuada, ela é comum a todos os países em desenvolvimento que aceitam a "estratégia" de crescimento com poupança externa.
O que fazer diante da apreciação do real? Nada, como sugere a ortodoxia convencional, "porque o mercado afinal resolverá o problema"?
Nada, "porque a taxa de câmbio real não poderia ser administrada no longo prazo", não obstante a experiência internacional demonstre a falsidade desse pressuposto fundamentalista de mercado? Ou nada precisaria ser feito porque a política de juros que essa ortodoxia vem impondo ao Brasil há tantos anos, além de facilitar o populismo cambial, é uma armadilha que impede que o governo aja sobre a taxa de câmbio?
A última é a verdadeira resposta. A alta taxa de juros impede a administração da taxa de câmbio.
Para administrá-la, os governos dispõem de dois instrumentos: a compra de reservas e sua esterilização, e, quando esse mecanismo não é suficiente, o controle da entrada de capitais.
O Banco Central já comprou cerca de US$ 70 bilhões, mas essas compras são insuficientes: o governo precisaria comprar mais. Entretanto, diferentemente do que ocorre com os países asiáticos dinâmicos, o governo não pode comprar mais porque, se o fizer, acabará de quebrar o Estado brasileiro. Um país asiático paga 1% ou 2% de juros reais para financiar a compra de reservas -o mesmo preço que recebe ao aplicar suas reservas no exterior-, enquanto o Estado brasileiro paga 12%.
Fica, dessa forma, clara a armadilha do juro alto e do câmbio baixo que hoje assola a economia brasileira, como, no passado, a alta inflação o fazia. A diferença está em que a alta inflação era um mal visível para todos, enquanto juro alto e câmbio baixo são males mais discretos. A alta inflação, entretanto, só terminou quando o governo, apoiado na sociedade, adotou uma estratégia original e firme para debelá-la; agora, a mesma autonomia e a mesma determinação então demonstradas são necessárias.